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 "Dança Macabra"

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Fireblade
General de Exército - Líder
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MensagemAssunto: "Dança Macabra"   Qua Fev 20, 2008 5:44 pm

Saburo Sakai descreve sua aventura com Nishizawa e Ota sobre Moresby.

O tempo transcorreu mansamente e à noite Nishizawa, Ota e eu fomos para a sala de rádio ouvir a hora de música noturna que nos chegava do rádio australiano. De repente Nishizawa disse:

"Ouve aquela música. Não é a dança macabra, a dança da morte?". Assentimos. Nishizawa estava excitado.

"Isto deu-me uma idéia. Vocês sabem que nossa missão de amanhã é castigar Moresby? Porque não nos lançamos numa pequena dança de nossa própria morte?".

"De que diabo está você falando? - interrompeu Ota. - Você parece que anda maluco".

"Não, não estou - protestou Nishizawa. - Depois que partíssemos daqui, deixando-nos cair por trás de Moresby, os três devíamos fazer algumas demonstrações de "loops" em direção do aeródromo. Isto os impeliria loucamente para o chão".

"Pode ser divertido - disse Ota cautelosamente - mas que diria o comandante? Ele permitiria que saíssemos para isso?".

"Pare! - foi a resposta incisiva. - Quem disse que ele deveria saber algo deste assunto?". Nishizawa riu francamente.

Dirigimo-nos para o alojamento e os três conversávamos em cochichos de nossos planos para a manhã seguinte. Não temíamos aparecer sobre Moresby apenas com três caças. Juntos tínhamos abatido um total de sessenta e cinco caças inimigos. Minha marca era de vinte e sete, Nishizawa tinha vinte e ota andava pelos dezoito.


Saburo Sakai


Hiroyoshi Nishizawa



Toshio Ota
Atacamos Moresby no dia seguinte com a capacidade máxima de dezoito Zeros, com o capitão de corveta Tadashi Nakajima encabeçando pessoalmente a formação. Nishizawa e eu voávamos como seus alas, na missão. O ataque foi um fracasso. Cada bombardeiro do aeródromo havia sido ocultado de nossas vistas. No ar, entretanto, a história era diferente. Três formações de caças inimigos dirigiam-se para nós em cima do campo. Giramos para o primeiro grupo e enfrentamos diretamente sua investida. No torvelinho da refrega, seis P-39 caíram em chamas, dois deles abatidos por min. Vários Zeros afastaram-se da luta para atingir o aeródromo, o que foi sua desgraça, como se evidenciou mais tarde. Dois caças que andaram atirando espedaçaram-se nos penhascos de Stanley Owen, quando da viagem de volta.

Depois do entrevero voltamos à formação. Assim que o fizemos, indiquei ao comandante Nakajima que eu ia em perseguição a um aeroplano inimigo. Ele aprovou com um aceno de mão e eu deixei-me mergulhar num longo giro. Em poucos minutos retornei a Moresby, circulando acima de 12.000 pés. A artilharia antiaérea estava silenciosa e nenhum caça antagonista surgiu. A seguir, dois Zeros vieram até min e nós constituímos a formação. Nishizawa e Ota riram e eu ondeei a costa em saudação.

Nossa formação juntou-se com pouca diferença entre as pontas das nossas asas. Empurrei minha capota para trás, fiz com meu dedo o sinal de um anel sobre minha cabeça, em seguida mostrei-lhes três dedos. Ambos os pilotos levantaram suas mãos em reconhecimento. Íamos entrar em três "loops", estreitamente unidos. Olhando pela ultima vez para os caças adversários, embiquei para ganhar velocidade, tendo Nishizawa e Ota apertados em min. Puxei para trás a alavanca, respondendo o Zero magnificamente numa ascensão de arco elevada e volteando sobre suas costas. Os dois caças fizeram a mesma coisa, numa perfeita entrada e saída dentro do "loop".

Duas vezes mais entramos, demos a volta, mergulhamos e saímos no "loop". Ninguém disparou do solo e o ar estava despejado de aeronaves inimigas. Quando sai do terceiro "loop", Nishizawa avançou para meu caça, mostrando os dentes de satisfação e indicou que ele queria fazer o quarto. Voltei-me para a esquerda. Ota, rindo, confirmava com a cabeça, em sinal de acordo. Não podia resistir a tentação. Mergulhávamos a somente 6.000 pés acima do campo inimigo e repetimos os três "loops", balançando-nos em uma volta consumada. E nenhum tiro ainda fora disparado contra nós! Podíamos ter estado sobre nosso próprio aeródromo por toda excitação que conseguíramos criar. Mas refleti a respeito de todos os homens que no solo nos observavam e ri alto.



Regressamos a Lae vinte minutos depois dos outros caças terem aterrissado. Não contamos nada do que fizéramos. Logo que pudemos nos juntar, prorrompemos em risadas sonoras e obas. Ota dava uivos de satisfação, e mesmo o severo Nishizawa dava palmadas em nossas costas de regozijo. Nosso segredo, porém, não durou muito tempo. Exatamente depois das nove horas daquela noite um ordenança aproximou-se de nosso alojamento e avisou que o tenente Sasai desejava ver-nos imediatamente. Olhamos um para o outro, grandemente preocupados. Podíamos receber uma séria punição pelo que tínhamos feito.

Por mais depressa que fossemos para o escritório de Sasai, o tenente já nos aguardava de pé, gritando-nos: "Olhem aqui, seus filhos... imbecis - rugiu ele - olhem bem para isto!". Sua face estava vermelha e ele mal podia controlar-se, ao mesmo tempo que agitava uma carta, em inglês, diante de nós. - "Sabem como conseguimos isto? - berrou. - Não? Direi a vocês, seus idiotas: foi deixado sobre a base há poucos minutos por um intruso!".

A carta rezava: "Ao comandante de Lae: Ficamos muito impressionados com os três pilotos que nos visitaram hoje, e todos gostamos dos "loops" que fizeram sobre nosso campo. Foi uma exibição completa. Nós apreciaríamos se os referidos pilotos retornassem aqui mais uma vez, cada um usando um cachenê verde no pescoço. Lastimamos que não pudéssemos lhes dar maior atenção em sua última viagem, mas tudo faremos para que a próxima ocasião lhes seja prestada uma completa acolhida de todos nós". Fizemos tudo para nos preservar de uma explosão de riso. A carta estava assinada por um grupo de pilotos de combate de Moresby. O tenente Sasai manteve-nos em posição de sentido e fez severa preleção a respeito de nossa conduta idiota. Deram-nos ordens especiais para não reproduzirmos mais vôos de exibição sobre as bases inimigas.

Fonte: Livro "Kamikaze, piloto suicida", de Saburo Sakai, com colaboração de Martin Caidin e Fres Saito. - Editora Ibrasa, ISBN85-348-121404.

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